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Poesia:"Cais" in. Semblantes e Noturnos
Poesia:"Cais" in. Semblantes e Noturnos

Cais

 

 

 

 

Na entrada do porto eu desejo um silêncio

do tamanho do mar;

quero uma distância

do tamanho do mar;

espero um abraço

do tamanho do mar;

e um descanso

do tamanho do mar.

 

Na chegada do corpo eu quero ser uma procura

do tamanho do céu;

escrever um discurso

do tamanho do nada;

usar um disfarce

do tamanho da multidão.

Quando der entrada no porto

este meu corpo cansado e macerado

só espera que a vida tenha esperado

 

 

Burgueses

 

Não me venham, então, durante meses

com estes discursos de folhetins,

essa fala burguesa, que não põe mesa,

mas engravidada de moralismo

e outros ismos, todos burgueses.

 

Caminho pela rua estreita,

deserta em sua solidão de concreto;

e por não ser arquiteto

estreito o peito

e esqueço a ternura

            de uma existência

que, na fartura da ventania,

se pretendia simples e ingênua.

 

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