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MODERNIDADE E BARBÁRIE - In. Sonhem com serpentes
MODERNIDADE E BARBÁRIE - In. Sonhem com serpentes

 

Após muitos anos afastado da cidade do Rio – que dizem maravilhosa –, eis que me encontro emaranhado em um engarrafamento estúpido, na Linha Amarela. Estranhando o fato, pergunto ao meu filho, mais conhecedor dos hábitos daquela urbis, qual a causa de tamanho transtorno de horas. Calmamente, ele larga o volante, se espreguiça e explica que normalmente não era para isso acontecer, mas estava havendo um fato extraordinário que estava levando metade dos habitantes para a Barra da Tijuca. De queixo caído escutei ele afirmar que todo aquele afluxo de trânsito desusado era em função de um evento da Rede Globo de Televisão. Qual evento extraordinário? Ora, os próximos participantes do BBB estariam num Shopping Center, dentro de redomas de vidro (ou algo que o valha).Que mais? Nada, só isso.
Aproveito o tempo restante que fiquei sequestrado pelo engarrafamento para meditar sobre a estupidez humana ou sobre o absoluto poder da mídia sobre as mentes dos seus proto-dependentes mentais. Afinal, quem são estes futuros participantes de uma gincanazinha custumizada? Até aquele momento o que eles tinham feito para merecer a atenção da galera que saliva ao primeiro plim-plim global? Em verdade, tratava-se de pessoas comuns que tinham como predicado apenas o fato de terem sido escolhidos.

Cinco anos depois deste episódio patético, encontro-me no Consulado da França, convidado que fui para o lançamento de um livro do amigo Luiz Guilherme Marques, juiz de direito que já escreveu e publicou mais de cinquenta livros. Após uma brilhante aula sobre reforma do Código Civil e a confraternização eis que me vejo sufocado por um rancoroso sentimento de injustiça, em função da parca presença de pessoas no evento. Tudo bem, o que se perde em quantidade se ganha em qualidade, mas observo que uma comparação entre estes dois fatos nos remete a uma equação que não fecha ou que se consolida na brutalidade cultural.

O fato é que a sociedade acorre em massa para o espetaculoso vazio que não implica raciocínio e se ausenta de acontecimentos em que a formação crítica se faz necessária, senão obrigatória. Daí, a continuar essa toada, vamos nos atolando na pasmaceira sem nos darmos conta do ridículo dos atos e fatos cotidianos.

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