Mudança de embalagem: mulheres fruta
Mudança de embalagem: mulheres fruta

 

A mercadoria é uma das mais antigas da humanidade e já foi o principal atributo daquilo que costumam afirmar que é a profissão mais antiga da história da humanidade.

O esquema é extremamente comercial o que, nos tempos atuais, significa esvaziar de conteúdo o produto que está sendo exposto. Dessa forma, observa-se, por exemplo, num site da grande imprensa (http://extra.globo.com) uma matéria com a seguinte chamada: “Salada de frutas: Mulher Melão, Mulher Maçã e Mulher Jaca posam juntas pela primeira vez”. Essa maravilha de contribuição ao jornalismo prático apresenta algumas características que são repetidas ad nausean na nossa mídia tupiniquim, muita bunda em exposição e um texto minúsculo, quase menor que o título da matéria. Fico imaginando o esforço mental da “jornalista” autora dessa façanha, imagino os suores noturnos que penou, enquanto queimava os miolos na busca de produzir a sua matéria. Após tremendo esforço mental, em rasgo de genialidade a tal “produtora” (Rita Moreno) alinhavou um textículo no qual afirma que “Uma é pouco, duas é bom e três, neste caso, não é demais. Mulher Maçã, Mulher Jaca e Mulher Melão posam juntas pela primeira vez numa apetitosa salada de frutas. Renata Frisson mostra, à esquerda, que não merecia só o título de Melão. Ao lado de Daiane Cristina, ela prova também que a sua fruta misturada com jaca dá um caldo. Gracy Kelly se junta às duas na foto abaixo, posando de mestre-cuca. Nesta receita, não é preciso nem acrescentar pimenta”. Claro e evidente que tal matéria é pródiga em fotos e bundas.

Em verdade, afora os desvios profissionais, tal “notícia” tem como principal finalidade a consagração da ambição maior do capitalismo selvagem, que é a transformação de seres humanos em mercadorias ordinárias, pois este modo de produção sabe que tal façanha representa muito mais que o dinheiro que é ganho, uma vez que situado no terreno minado dos corações e mentes.

Mas não nos apoquentemos por somenos cretinices, pois a variedade de frutas é grande e a mesmice dos nossos “produtores culturais” maior ainda.

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